terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mais um «ensaio» a ver como isto funciona

Um dos temas recorrentes na discussão da problemática da partilha do valor acrescentado é o da «justiça» dessa partilha, argumentando-se muitas vezes que essa partilha é «injusta» na medida em que não reconhece, ou reconhece menos do que devia, o contributo dos trabalhadores para a produção desse valor acrescentado. Deve aqui assinalar-se que a questão da Ética ou da Moral não deveria ter entrada no âmbito estrito da análise do comportamento de um qualquer sistema. Ou então deveria ser conveniente esclarecer que aquilo que é injusto é também aquilo que acaba por vir a prejudicar o funcionamento equilibrado, sustentado e perdurável desse sistema. Por outras palavras, e como diria talvez um aprendiz de filósofo hegeliano, aquilo que é justo é aquilo que é funcionalmente útil para o colectivo em que se insere esse contributo. No caso da problemática «classes sociais e valor», uma partilha do valor acrescentado será uma partilha «justa» apenas e tão só na medida em que essa partilha contribua para a continuidade do funcionamento equilibrado (em homeostase...) do próprio sistema.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A propósito da dívida grega

A propósito de uma carta publicada pela revista Stern e referida no Blogue «Arrastão» convem lembrar uma condição constante do «acordo de Londres» de 1953 e que limitava o pagamento da dívida alemã a uma determinada percentagem (5%...) das suas exportações, a qual condição é um dos temas recorrentes em Estudos Africanos na perspectiva da dívida dos «países do Sul»...
Com que cara é que estes senhores «merkozys» e seus acólitos exigem agora à Grécia e a Portugal (por exemplo) e têm exigido ao longo dos anos a países como a Tanzania ou Moçambique (ainda por exemplo) o pagamento de não sei quantas centenas de milhões, independentemente da sua capacidade de exportar e pagar, depois de os seus antecessores nacionais, políticos e ideológicos terem acordado naquela (normal e correcta...) condição para a Alemanha ?!...

A abstenção «violenta»

Ora cá está mais uma brilhante «ideia peregrina» do sr. António José Seguro... A abstenção do PS na votação do Orçamento para 2012 (aquele orçamento que vai fazer agravar a recessão e muito provavelmente conseguir cobrar menos impostos apesar de aumentar as respectivas taxas) vai ser - dizem eles - uma «abstenção violenta»...
Eles, os deputados do PS devem estar ansiosos para muito violentamente levantarem o braço - ou lá como é que fazem - quando a presidência da mesa (quero eu dizer, da «Assembleia»...) perguntar «quem se abstém?»...
Será que violentamente vão dar uns murros naquelas espécies de mesinhas que têm à frente dos assentos de deputados... Ou irão apenas dirigir uns olhares violentamente fulminantes na direcção dos deputados da maioria?... Uma outra hipótese é os referidos deputados violentarem o tempo da Assembleia e exigirem (com violento tom de voz) que cada um faça, individual e violentamente uma declaração de voto. Nesse caso, sim. Aí poderão ser violentos na forma e no conteúdo. Digo isto porque não estou a ver como é que o simples absterem-se pode transmitir a quem quer que seja a ideia da «violência»... Ou então, coisas da evolução das palavras e do seu significado, afinal já não é só a REVOLUÇÃO (cruzes, credo...) que é «violenta». O não votar, deixar passar ou «fazer de conta» também já é uma coisa violenta.
Pensando bem, de facto a abstenção vai ser uma violência: sobretudo para aqueles que votando PS acreditavam que «eles» iam propor (ou fazer seguir) uma política diferente...
Mas vai ser uma violência sobretudo para todos aqueles que têm que pagar a factura.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011


A ideia peregrina de aumentar o horário de trabalho («só do sector privado?...») é de uma colossal estupidez e vai contra a corrente da História e até mesmo contra a lógica do sistema. Para já qualquer «trabalhador motivado produz sempre muito mais e muito melhor»... É da sabedoria das nações e, depois da famosa «experiência de Hawthorne» (anos Trinta, há mais de oitenta anos...) e subsequentes estudos em psicologia social, até vem nos manuais de gestão de «recursos humanos», como agora se diz...  
Estes senhores que nos desgovernam têm na cabeça (de ideias muito mal arrumadas...) o conceito de organização social dos fins do século XIX... Actualmente, com toda a tecnologia existente, toda a humanidade pode trabalhar só umas 4 ou 5 horas por dia e em horas «à vontade de cada um» e mesmo assim produzir mais do que o necessário para ainda continuar a melhorar o nível de vida. Só nas últimas décadas lançaram-se para o espaço algumas centenas de satélites... Por outras palavras, o que os senhores Merkozys destra malfadada União Europeia deviam fazer era reduzir os horários de trabalho de modo a acabar com a praga do desemprego (reduzindo na passada até os famigerados «subsídios de desemprego»)...

sábado, 5 de novembro de 2011


Uma metáfora muito comum ilustrativa da abordagem ou «Teoria do Caos» é a estória de um batimento de asas de uma borboleta algures no Estado de São Paulo, por exemplo, poder provocar uma tempestade algures no Estado do Texas, também por exemplo. Esta metáfora procura exprimir de forma algo caricata que, na atmosfera terrestre assim como na biosfera tudo está interligado com tudo. Terá havido um tempo em que esta estória de «tudo estar interligado com tudo» possa ter servido para abdicar de análise e investigação das causas de muitos e diversos fenómenos. Se tudo está interligado com tudo, então tanto faz começar por aqui como começar por ali que os resultados sempre acabariam sendo explicações que de tanto explicarem acabavam também por, na realidade, nada explicarem.